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Expedição Safra 2018 / 2019

ESPECIAL
PATROCINADO

Inovações tecnológicas substituem práticas agrícolas do passado

ESPECIAL PATROCINADO | CONFEA

Práticas antigas como aração e gradagem não deixaram saudades, mas erosão ainda é problema em 30% das lavouras de um dos estados líderes na produção agrícola.

Aração, gradagem e o uso de equipamentos como enxadas rotativas não fazem parte da rotina de trabalho na lavoura do produtor de grãos de Arapongas, interior do Paraná, Olair Mennoti. Essas técnicas e recursos, no entanto, já foram tidos como ideais para o sustento de seus pais nas décadas de 70, 80 e 90.

O Paraná aposentou esses métodos de trabalho para vencer o problema crônico da erosão, utilizando, em seu lugar, o Sistema de Plantio na palha, a construção de terraços e a rotação de culturas. A forma de tratar o solo mudou radicalmente, mas, ainda assim, segundo a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SEAB), a erosão resiste em 30% das propriedades do estado. Isso porque muitos produtores retiraram os terraços para facilitar a entrada de maquinários agrícolas maiores, causando novo desgaste dos solos.

Olair começou a usar o Plantio Direto na lavoura em 1994 e, mesmo após todos esses anos, não abre mão de métodos complementares de proteção do solo e água. Os ganhos são visíveis no melhor controle das ervas daninhas, na economia com combustível e maquinário. “Me evitou muita dor de cabeça com oficina para a manutenção do trator e essas coisas”.

Para o agricultor, o método é bem simples. “O ideal é sempre plantar com a terra meio seca, pois quando muito úmida o maquinário compacta o solo, aumentando os riscos de erosão. Em seguida, procuro fazer uma boa palhada, ou seja, aproveitamos os restos de vegetais da cultura colhida anteriormente. Assim, iniciamos a nova plantação diretamente em cima do que fica. Quanto menos você remover do solo, melhor”, conta.

Orgulhoso, Olair diz indicar para outros produtores o Plantio Direto, pois é uma ótima ferramenta para a agricultura. Além disso, ele já repassa o conhecimento para seu filho. “Ele está trabalhando comigo e por enquanto está indo muito bem. A gente tenta passar tudo o que sabe. Isso é importante, pois a gente trabalha dentro das regras e ainda ajuda a proteger nosso patrimônio natural”, finaliza.

No Paraná, cerca de 6 milhões de hectares são dedicados à agricultura. Segundo estimativas do pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Tiago Telles, entre os produtores que adotam o Plantio Direto, 80% usam também outras técnicas para conservação do solo e da água. Porém, o terraceamento é o que tem sido menos utilizado e só o Plantio Direto não é o suficiente. Telles calcula que o estado tem perdido em média R$ 252 milhões por ano em nutrientes levados pela erosão.

Iniciativas
O esforço para controle da erosão é contínuo. Em 2016, surgiu o Programa Integrado de Conservação do Solo e Água no Paraná (Prosolo), a iniciativa é da Secretaria da Agricultura em parceria com 22 entidades privadas e órgãos públicos. O Prosolo dá suporte aos produtores rurais, com treinamentos e pesquisas, definindo técnicas para redução das perdas.

O programa de Gestão de Solo e Água em Microbacias já trabalhou com 245 microbacias do estado e tem como meta abranger 400 grupos de pequenos agricultores e beneficiar em torno de 20 mil famílias. O projeto presta auxílio na instalação de distribuidor de água, proteção de nascentes e cercamento de áreas com preservação permanente, que evitam contaminação por dejetos do gado e outros animais.

O engenheiro Agrônomo do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável (Deagro) da SEAB, Ronei Andreta, destaca ainda a importância de preservar a cobertura florestal. “A mata ao redor do rio funciona como um filtro da água que escorre superficialmente. As árvores facilitam para que haja uma recarga de água e, assim, evita que aquela nascente seque”.

Andreta explica que os programas são importantes, pois prestam assistência técnica, principalmente aos pequenos produtores, para ajudá-los no manejo e conservação do solo. “Nossos técnicos possuem preparo para tirar qualquer dúvida que possa surgir ao decorrer desse processo. O contato com os agricultores se dá por meio de palestras, visitas técnicas às pequenas propriedades, e assim, sempre procuramos atender da melhor forma possível aos produtores”, enfatiza.

Práticas não recomendadas

  • Arado: instrumento usado para revirar as camadas do solo.
  • Gradagem: técnica usada para romper blocos de terra, nivelar o terreno e retirar ervas daninhas.
  • Enxada Rotativa: usada para retirar qualquer resíduo que sobrasse das etapas anteriores.
  • “Todas essas práticas mexiam com a estrutura do solo sendo extremamente prejudicial”, explica Luiz Antônio Caldoni, da Emater.

Práticas recomendadas

  • Terraços: técnica milenar da civilização Inca, trata-se da criação de platôs em áreas de declive que freiam a força das águas e evitam que o solo seja levado por enxurradas. Ajudam também na infiltração e armazenamento da água.
  • Rotação de culturas: técnica em que o produtor alterna as espécies vegetais plantadas em uma mesma área agrícola. O sistema ajuda a melhorar as características físicas, químicas e biológicas do solo.
  • Plantio Direto: o agricultor não retira da terra os resíduos de palha do cultivo anterior. Esse material age como uma proteção para o solo, reduz os impactos da água da chuva e favorece a criação de matéria orgânica e a retenção de nutrientes.

Impactos
A engenheira agrônoma da área de recursos naturais do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Elaine Cristina Isernhagen, explica que a erosão mais comum é a laminar. Ela retira a camada superficial do solo, a parte que contém os maiores teores de matéria orgânica e de nutrientes. Por isso a importância de se ter uma boa palhada no Plantio Direto, como mencionado por Olair. “Na cultura do milho, por exemplo, aproveitamos apenas os grãos para a venda. Todo o restante da planta permanece na superfície do solo após a colheita. Isso ajuda a evitar o escoamento e a perda de materiais que ajudam no crescimento vegetal”, exemplifica a engenheira.

O Engenheiro agrônomo e coordenador da área de recursos naturais do Emater, Luiz Antônio Caldani, destaca que na água esses materiais se tornam contaminantes. Além disso, podem arrastar junto para os rios resíduos de argila e agrotóxicos. “Isso pode estimular o crescimento excessivo de algas que consomem muito oxigênio, afetando a vida dos peixes”, diz. “É na água que as pessoas conseguem perceber o impacto disso, pois essa é a água que chega até as suas casas. Quanto mais tratamento a água precisa, mais a Sanepar irá ter que investir em recursos fazendo com que ela encareça”.

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